quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Norigami

por Maumau

A Comida no Antigo Egito

da Biblioteca do Escoteiro Mirim (1985):

"- Eu cheguei primeiro! - berrou Donald - Quem vai ajudar a Margarida com a História da Culinária no Egito sou eu!
- Para que ficar nervoso, caro primo? - pavoneou-se o Gastão - Você sabe muito bem que eu sempre ganho quando há alguma coisa a disputar...
O Gastão não era muito de trabalhar. Por isso, refestelou-se num sofá e deixou que o Donald ajudasse a Margarida sozinho.
- Puxa! - exclamou Donald - Esses egípcios sabiam se cuidar!
Os egípcios já temperavam seus alimentos com alho e salsa e, para eles, a cebola era uma verdadeira religião. Um sacerdote, à frente de seus devotos, comia cebolas devagar, como se rezasse, enquanto lágrimas lhe corriam lentamente dos olhos.
No Egito Antigo, a culinária era muito cuidada. Eles achavam que a maioria das doenças era devido à má alimentação. O cardápio deles era variadíssimo para a época: três mil anos antes de Cristo, os egípcios já plantavam cevada, cultivavam fermento e vinhas e faziam pão, vinho, hidromel e um tipo de cerveja.
Mil anos depois, eles comiam carne de caça, aves, peixes, ostras e ovos. Em suas mesas havia também legumes como ervilhas, favas e lentilhas, e frutas como azeitonas, figos, tâmaras, maçãs, romãs, abricós e amêndoas.
Os banquetes dos faraós eram reuniões animadas, com jogos, música e danças. Na mesa dels, entre os outros pratos deliciosos, costumava haver trufas, um cogumelo subterrâneo ainda hoje muito apreciado. Havia até mesmo um tipo especial que pesava mais de 30 quilos!
- Veja isto, Donald! - disse Margarida com um livro na mão - No Egito, eram as mulheres que organizavam os banquetes, dirigiam o serviço e presidiam a mesa!
- Pronto! - disse Donald - Já sabemos quem inventou a dona-de-casa!

sábado, 14 de novembro de 2009

Arroz de Carreteiro

"Nobre cardápio crioulo das primitivas jornadas,
Nascido nas carreteadas do Rio Grande abarbarado,
Por certo nisso inspirado, o xiru velho campeiro
Te batizou de "Carreteiro", meu velho arroz com guisado.

Não tem mistério o feitio dessa iguaria bagual,
É xarque - arroz - graxa - sal
É água pura em quantidade.
Meta fogo de verdade na panela cascurrenta.
Alho - cebola ou pimenta, isso conforme a vontade.

Não tem luxo - é tudo simples, pra fazer um carreiteiro.
Se fica algum "marinheiro" de vereda vem à tona.
Bote - se houver - manjerona, que dá um gostito melhor
Tapiando o amargo do suor que –
às vezes, vem da carona.

Pois em cima desse traste de uso tão abarbarado,
É onde se corta o guisado ligeirito - com destreza.
Prato rude - com certeza,
mas quando ferve em voz rouca
Deixa com água na boca a mais dengosa princesa.

Ah! Que saudades eu tenho
dos tempos em que tropeava
Quando de volta me apeava
num fogão rumbeando o cheiro
E por ali - tarimbeiro, cansado de bater casco,
Me esquecia do churrasco saboreando um carreteiro.

Em quanto pouso cheguei de pingo pelo cabresto,
Na falta de outro pretexto indagando algum atalho,
Mas sempre ao ver o borralho onde a panela fervia
Eu cá comigo dizia: chegou de passar trabalho.

Por isso - meu prato xucro, eu me paro acabrunhado
Ao te ver falsificado na cozinha do povoeiro
Desvirtuado por dinheiro à tradição gauchesca,
Guisado de carne fresca, não é arroz de carreteiro.

Hoje te matam à Mingua, em palácio e restaurante
Mas não há quem te suplante,
nem que o mundo se derreta,
Se és feito em panela preta, servido em prato de lata
Bombeando a lua de prata sob a quincha da carreta!

Por isso, quando eu chegar,
nalgum fogão do além-vida,
Se lá não houver comida já pedi a Deus por consolo,
Que junto ao fogão crioulo,

Quando for escurecendo, meu mate-amargo sorvendo
A cavalo nalgum tronco, escute, ao menos, o ronco
De um "Carreteiro" fervendo."

(*) Jayme Caetano Braun. Potreiro de Guachos. 5.ed, Ed. Sulina, 1975.
de Viva o Charque

domingo, 8 de novembro de 2009

Arte Postal Nutritiva


No pólo oposto à cozinha está a podridão, o terreno no qual o alimento desliza, de modo lento ou rápido, de volta à natureza, decompondo-se, pela ação dos fungos e bactérias, nos elementos minerais que antes estavam organizados. Os gourmets tentam ainda, desesperadamente, segurá-lo no despenhadeiro por onde se precipitam, celebrando a culinária da coisa 'faisandé'.
Ao controlar o processo de deterioração, a própria cultura ampliou as suas fronteiras, incorporando mais natureza. Também por essa vertente há uma história. Descobriu-se a penicilina, a 'podridão nobre' dos vinhos de Sauterne, os queijos, etc.

In: Doria, Carlos. Estrelas no Céu da Boca, pág. 153

Alimento para os olhos: Ovomaltine

Quando se levanta está Vª Exª alegre ou triste?

sábado, 7 de novembro de 2009

Relógios

"Um fama tinha um relógio de parede e dava-lhe corda todas as semanas COM GRANDE CUIDADO. Passou um cronópio e ao vê-lo pôs-se a rir, foi para casa e inventou o relógio-alcachofra ou alcaucil*, que pode e deve dizer-se de uma outra maneira.
O relógio alcaucil deste cronópio é um alcaucil da espécie grande, preso pelo caule a um buraco da parede. As incontáveis folhas do alcaucil marcam a hora atual e além do mais todas as horas, de maneira que basta o cronópio arrancar-lhe uma folha para saber a hora. Como ele as vai arrancando da esquerda para a direita, a folha marca sempre a hora exata, e cada dia o cronópio começa a tirar uma nova rodada de folhas. Ao chegar ao coração, o tempo já não se pode medir, e na infitina rosa roxa do centro o cronópio encontra um grande prazer, então come-a com azeite, vinagre e sal, e põe outro relógio no buraco."
*Usam-se em espanhol indistintamente as duas formas: alcachofra ou alcaucil)
In: CORTÁZAR, Julio. Histórias de Cronópios e de Famas.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Alimento para os olhos: design


e muitas outras embalagens maravlhosas aqui

domingo, 1 de novembro de 2009

bolhas

"Dom Pérignon também foi contemporâneo de Newton: enquanto um se preocupava com maçãs, o outro cuidava da uva. O primeiro fabricava beberagens com bolhas que sobem, o segundo deduzia fórmulas a partir de frutas que caíam. (...)
A época de dom Pérignon é magnífica para as bolhas. Pensemos em Rembrandt, cujo claro-escuro poderia ser considerado a manifestação pictórica da luz nas trvas, a figuração de uma bolha irradiante num universo sombrio; pensemos também em Vermeer, de quem cada tela pode ser lida como representaão de uma bolha de paz num universo barulhento, fervilhante de gente e de comércio: uma mulher que lê, toca virginal, cuida de renda ou escreve uma carta. A menos que pese pérolas, pois a pérola é outra maneira de expressar a bolha. E numa taça de champagne são quase-pérolas que explodem na superfície. No pintor flamengo, elas estão sempre dissimuladas, como se ele quisesse esconder em suas telas os detalhes que significam as vanités. (...)
A bolha de champagne é uma variação do tema da bolha de ar e da pérola. Dom Pérignon é um barroco emblemático... (...)
Dizem, aliás que o barroco é o que c oncerne diretamente ao indivíduo, o que o empolga e o invade sem contemplação pelo espírito, pela inteligência. Antes de tocar o espírito, a alma, e ser um alimento cerebral, tudo o que vem desse estilo requer a prioridade da emoção, da sensação, da paixão. O corpo é o primeiro convidado. Não se pode falar melhor dos efeitos do champagne, mais sedutor que todos os outros vinhos. Precisamos livrar-nos de sua primeira influência. O vinho de dom Pérignon quer que nos desprendamos de seus efeitos antes de podermos saborear suas riquezas. Na boca, o champagne invade, exige todas as sensções ao mesmo tempo. Na língua, no palato, ele borbulha, enche a boca de modo impressionista: libera efeitos vindos de registros diferentes, diversos, múltiplos. O perfume se mescla ao gás, os sabores de longa duração coincidem com um efeito de perda das efervescências. O que um ganha o outro perde: a entropia sofrida por um torna possível a riqueza do outro. E vice-versa. As bolhas, sempre as bolhas. Com efeito, são as explosões gasosas que permitem as fragrâncias. Pois a boca é primeiro conquistada por ele, mais impreriosamente do que por qualquer outro vinho. E por trás desse efeito novo se esconde a verdade da bebida. Não existiria nisso o retorno da máscara barroca? (...)
A máscara de bailes à fantasia tem seu equivalente nas bolhas do champagne: ela é promessa de prazer ou felicidade. Após o efeito sedutor, a verdade sápida.

In: onfray, Michel. A Razão Gulosa. RJ: Rocco, 1999

maminha com contraste

esse é o prato que preparei na ultima terça no Tutti Giorni.
simples de tudo, mas super interessante.

marinar uma peça de maminha com pimenta branca, pimenta preta, cebola e bastante cachaça.
assar a bichinha e fazer um molho com o rôti e/ou o suco que ficaram na forma.

no prato, servir uma porção de arroz e sobre ele acelga crua chiffonade.
e servir a carne com o molho, e sobre ela cenoura em jardinière branqueada, grãos de café quebrados e, sobre todo o prato, raspinhas de limão.

sábado, 19 de setembro de 2009

Alison Knowles

Proposta:
Faça uma salada.
.1962.

Variação #1 da Proposta:
Faça uma sopa.
.1964.

em 1993 Alisson Knowles executou a proposta